Há lugares que você entra e imediatamente entende que existe uma história ali. O Gastronomia com Arte, no Ipiranga, é um deles

Há lugares que você entra e imediatamente entende que existe uma história ali. O Gastronomia com Arte, no Ipiranga, é um deles.
Na noite de 20 de agosto, a galeria abriu as portas para apresentar uma nova temporada de eventos e, mais do que inaugurar uma programação, mostrou aquilo que talvez seja a sua maior vocação: reunir pessoas, ideias, sabores, arte, música e criatividade em um mesmo espaço.
Jornalistas, arquitectos, artistas, amigos, criativos e apaixonados por arte circularam pela galeria enquanto, a cada canto, uma nova experiência acontecia.

E talvez seja justamente essa a graça do lugar. Você não fica parado à espera de que algo aconteça. Você vai descobrindo.
A galeria, que já tem cinco anos de história, carrega a identidade de Paulo Lattarullo, artista e escultor que transformou a sustentabilidade e o reaproveitamento de materiais em linguagem artística. Sucatas e objectos que poderiam ter terminado no descarte ganham uma segunda vida em esculturas únicas, cheias de personalidade.
Robôs, cavalos, veleiros, motos, comboios, bustos e a famosa cadeira Arsenal aparecem pelo espaço como personagens de uma história que vai sendo contada enquanto caminhamos.

E foi exactamente essa sensação de descoberta que marcou a noite.
A gastronomia entrou naturalmente nesse percurso. O jantar de ragu com polenta, preparado em parceria com a Moncoc, trouxe o conforto de uma comida feita para compartilhar, enquanto as pizzas da Bendita Maria completaram a experiência.
No bar, destilados e cocktails dividiram espaço com o OZ, energético natural, enquanto a Cervejaria Blumenau, nova parceira fixa do Gastronomia com Arte, apresentou alguns de seus rótulos, incluindo opções artesanais sem álcool.
A música também teve papel fundamental. O DJ Ale Portillo deu o ritmo da noite, fazendo com que a circulação pelos ambientes ganhasse outra energia.
E, como o conceito do espaço é justamente misturar universos, beleza e lifestyle também estiveram presentes. O barbeiro Bruno Cavalcanti trouxe sua experiência para a noite, enquanto o tatuador Patrick Turgueti, com mais de 28 anos de profissão, realizou tatuagens ao vivo, transformando a própria pele em mais um suporte para a arte.
No fim, era difícil definir onde terminava uma experiência e começava outra.
E talvez essa seja a melhor definição para o Gastronomia com Arte.
Uma marca pode ocupar o espaço para um lançamento. Um arquitecto pode criar uma instalação. Uma empresa pode organizar um encontro e transformá-lo em celebração. Uma marca de moda pode criar uma experiência. Um grupo de amigos pode fazer uma festa. Um artista pode apresentar seu trabalho. A cozinha equipada pode receber uma experiência gastronómica ou um workshop. O bar pode ganhar outra configuração. Cada projecto pode contar uma história diferente.
E é aí que o Gastronomia com Arte se torna especialmente interessante.
Porque, em uma cidade como São Paulo, onde existe uma quantidade enorme de espaços para eventos, o que diferencia um endereço não é apenas a estrutura. É aquilo que ele consegue fazer as pessoas sentirem.
Na noite de 20 de agosto, entre uma escultura de sucata, um prato de ragu, uma cerveja Blumenau, uma tatuagem, um cocktail e uma música que atravessava os ambientes, ficou claro que a proposta é justamente essa: criar encontros que não sejam previsíveis.
E tenho a impressão de que ainda vamos descobrir muitos outros detalhes desse lugar.
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